AO LEITOR

Tal como “O drama da Bretanha”, este novo romance foi-me ditado pelo Mundo Espiritual há quarenta anos. Seu primitivo autor foi, igualmente, a entidade espiritual que se nomeava Roberto de Canalejas. Mas, como ficou dito, essa entidade despediu-se para a reencarnação, e o livro ficou inacabado e imperfeito. Durante todo esse tempo mantive o arquivado, e jamais imaginei que um dia viria ele a ser concluído. Muitas vezes fui mesmo tentada a queimá-lo, a fim de desocupar gavetas que me eram necessárias. Mas, contive-me, esperando o futuro. Escrevi-o em minha mocidade, para concluí-lo já com os cabelos brancos.

Como vemos, a série […] foi ditada de trás para diante, pois o último livro foi, justamente, o primeiro a ser escrito, isto é, “O drama da Bretanha”. Nos dias presentes, ao receber ordem de ultimar o trabalho, surpreendi-me ao verificar que se tratava do prosseguimento do romance “Nas Voragens do Pecado”, obtido do Espaço em 1957-1958, o primeiro da série, portanto. À entidade Charles, amado amigo do Plano Espiritual, devo a conclusão e a revisão do presente volume. Não fora a sua paciência de iluminado e a boa-vontade em aproveitar páginas que tantos sacrifícios custaram a Roberto de Canalejas e a mim, e, certamente, se perderiam essas advertências doutrinárias que – quem sabe? -, poderão ser úteis a quem as ler.

Assim sendo, não tenho escrúpulos em dar a autoria de mais este livro à entidade Charles. Roberto esboçou-a, deixando-a, inacabada. Charles levantou-a, redigiu-a, concluiu-a.

Que o leitor a aceite com simpatia é o meu desejo.

Rio de Janeiro, 5 de setembro de 1972.