LIVRO DE AGOSTO – 2019

Constituição Divina

Richard  Simonetti

 

            “CEQUESSU”

 

A direção da faculdade decidira promover um debate sobre assuntos de atualidade, solicitando aos alunos que sugerissem, por escrito, os temas.

Houve várias indicações: violência, inflação, tóxico, suicídio, loucura,… Uma delas era decididamente estranha: “cequessu”. Somente após várias consultas, um velho professor de Português, concluiu que aquele “cequessu” significava “sexo”.

Fora esse o tema escolhido pelo estudante que, como tantos outros, se alfabetizara na adolescência, transitou precariamente pelo supletivo ginasial e colegial e, num exame elementar de seleção, ingressou no curso superior. Um semianalfabeto na faculdade, por falta de vivência escolar, de convívio com os livros, em aprendizado metódico e disciplinado.

Assim como acontece em relação à língua pátria, há muita gente iletrada, espiritualmente, cursando a Universidade da Vida. São pessoas incapazes de distinguir, em profundidade, o certo do errado, a virtude do vício, o bem do mal, confundindo-se e se comprometendo, frequentemente, em erros elementares de julgamento.

Importante considerar, entretanto, que estamos na escola terrestre exatamente para superar nossa ignorância espiritual, nosso atraso moral. Desfrutando os benefícios do esquecimento temporário, que nos permite superar paixões e fixações que precipitaram nossas quedas em vidas anteriores, podemos, desde que convenientemente preparados, operar nosso ajuste às Leis Divinas.

É bastante ilustrativo que nas mocidades espíritas, em instituições bem orientadas, raros jovens viciam-se no fumo. Não que sejam submetidos a rígidas discipli­nas, a uma proibição rigorosa. Simplesmente os moços são esclarecidos, durante anos, desde as aulas de evange­lização infantil, sobre o problema, preparando-se, inclu­sive, para enfrentar as pressões do ambiente escolar, dos clubes sociais, das reuniões com os amigos, onde o ado­lescente adere ao vício simplesmente para não se sentir deslocado, diferente, inseguro…

Daí a importância da iniciação religiosa em bases de escolaridade, desde a mais tenra infância, a fim de que o Espírito que inicia a romagem terrena seja preparado pa­ra a observância das Leis Divinas, aproveitando integral­mente as oportunidades de edificação da jornada huma­na e vivenciando corretamente, na Universidade da Vi­da, os grandes temas morais, sem fazer confusões do tipo “cequessu”.

(adaptação de texto do livro do mês)