LIVRO DE NOVEMBRO

No roteiro de Jesus

Irmão X – psic. F.C.Xavier

Este livro é uma compilação de diversos textos de Humberto de Campos, sob o pseudônimo de Irmão X, sobre episódios vividos por Jesus espalhados em suas obras: “Cartas e Crônicas”, “Contos e Apólogos”, “Contos desta e doutra vida”, “Crônicas de Além Túmulo”, “Estante da Vida”, “Lázaro Redivivo”, “Luz Acima” e “Pontos e Contos”.

Com isso o autor deu continuidade à sua magnífica obra intitulada “Boa Nova”.

Este livro foi organizado pelo saudoso conferencista e escritor espírita Gerson Simões Monteiro dividindo quatro partes da vida do Divino Amigo: Início da vida de Jesus na Terra, Jesus agindo, Fatos do final de sua vida e Jesus agindo após sua volta ao mundo espiritual.

 

O CANDIDATO INTELECTUAL

Conta-se que Jesus, depois de infrutíferos entendimentos com doutores da Lei, em Jerusalém, acerca dos serviços da Boa Nova, foi procurado por um candidato ao novo Reino, que se caracterizava pela profunda capacidade intelectual. Recebeu-o o Mestre, cordialmente, e, em seguida às interpelações do futuro aprendiz, passou a explicar os objetivos do empreendimento. O Evangelho seria a luz das nações e consolidar-se-ia à custa da renúncia e do devotamento dos discípulos. Ensinaria aos homens a retribuição do mal com o bem, o perdão infinito com a infinita esperança. A Paternidade Celeste resplandeceria para todos. Judeus e gentios converter-se-iam em irmãos, filhos do mesmo Pai.

O candidato inteligente, fixando no Senhor os olhos arguciosos, indagou: — A que escola filosófica obedeceremos? — Às escolas do Céu — respondeu, complacente, o Divino Amigo. E outras perguntas choveram, improvisadas. — Quem nos presidirá à organização? — Nosso Pai Celestial. — Em que bases aceitaremos a dominação política dos romanos? — Nas do respeito e do auxílio mútuos. (…) — Onde a voz imediata de comando? — Na consciência. (…) — Quem reterá a melhor posição no ministério? — Aquele que mais servir. O candidato coçou a cabeça, francamente desorientado, e continuou, finda a pausa: — Que objetivo fundamental será o nosso? Respondeu Jesus, sem se irritar: — O mundo regenerado, enobrecido e feliz. (…) — Mas não teremos recursos de constranger os seguidores à colaboração ativa? — No Reino Divino não há violência. (…) — Em que sítio se levantam as construções de começo? Aqui em Jerusalém? — No coração dos aprendizes. — Os livros de apontamento estão prontos? — Sim. — Quais são? — Nossas vidas…

O talentoso adventício continuou a indagar, mas Jesus silenciou, sorridente e calmo. Após longa série de interrogativas sem resposta, o afoito rapaz inquiriu, ansioso: — Senhor, por que não esclareces? O Cristo afagou-lhe os ombros inquietos e afirmou: — Busca-me quando estiveres disposto a cooperar. E, assim dizendo, abandonou Jerusalém na direção da Galiléia, onde procurou os pescadores rústicos e humildes que, realmente, nada sabiam da cultura grega ou do Direito romano, mantendo-se, contudo, perfeitamente prontos a trabalhar com alegria e a servir por amor, sem perguntar.

(livro do mês – Cap. 2)

MARTE

“Enquanto as empresas de turismo organizam na Terra os grandes cruzeiros intercontinentais, realizando um dos mais belos esforços de socialização do século XX, no mundo dos Espíritos organizam-se caravanas de fraternidade, nos planos do intermúndio”.

Na região do estômago, o privilégio pertence aos sujeitos felizes, bem fichados nos círculos bancários, mas, nos planos do coração, os livros de cheque são desnecessários.

[…] A morte não é uma fonte miraculosa de virtude e de sabedoria. É, porém, uma asa luminosa de liberdade para os que pagaram os mais pesados tributos de dor e de esperança, nas esteiras do Tempo.

Enquanto os astrônomos europeus e americanos examinam, cuidadosamente, os seus telescópios, para a contemplação da paisagem de Marte, à distância de quase trinta e sete milhões de milhas, […] fomos felicitados com uma passagem gratuita ao nosso admirável vizinho do sistema solar, cuja passagem, nas adjacências do orbe, vem empolgando igualmente os núcleos de seres invisíveis, localizados nas regiões mais próximas da Terra.

[…] Depois de alguns segundos, chegávamos ao termo de nossa viagem vertiginosa. Dentro da atmosfera marciana, experimentamos uma extraordinária sensação de leveza… Ao longe, divisei cidades fantásticas pela sua beleza inédita, cujos edifícios, de algum modo, me recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados arranha-céus de Nova York.

[…] Aos meus olhos, desenhavam-se panoramas que o meu Espírito imaginara apenas para os mundos ideais da mitologia grega, com os seus paraísos cariciosos.

(trecho do livro do mês)

LIVRO DE SETEMBRO

Novas Mensagens

Irmão X – psic. F.C.Xavier e Waldo Vieira

 

Este livro foi publicado em 1939, sob o codinome de “Irmão X”, para resguardar o médium de novas complicações, já que fora, quando encarnado, o renomado membro da Academia Brasileira de Letras, Humberto de Campos.

A Segunda Guerra Mundial havia recém iniciado e o mundo, aterrado com esse grande desastre, tentava se sustentar social e economicamente.

O autor espiritual, utilizando-se da pena mediúnica de Chico Xavier, traz-nos este livro contendo 13 pequenas crônicas sob alguns temas de alto valor doutrinário, tais como sua viagem ao planeta Marte, uma entrevista com o imperador D.Pedro II, a história de um médium, a morte do Papa Pio XI e outros mais.

A intimidade da vida após a morte física, ilustrada com o sabor de um grande cronista, que ao chegar ao plano espiritual ampliou sua visão brindando-nos com suas valiosas contribuições, torna-se mais fácil de ser entendida.

 

O tecido da roupa de Scheila

[…] José Grosso pediu para cantarmos outro hino e se retirou. Scheilla solicitou a um assistente para acender as quatro lâmpadas vermelhas do salão. Não era usual tal iluminação, porquanto poderia trazer reações prejudiciais ao ectoplasma. Entretanto, os companheiros espirituais tinham tomado os cuidados exigidos e tudo transcorreu em segurança.

Scheilla retornou e se pôs à frente da primeira fila de cadeiras. Acariciou a cabeça da companheira Ló, chegou-se a mim, colocou a mão esquerda sobre a minha cabeça e passou a conversar com os assistentes.

Trajava vestes alvas e cobria a cabeça com um tecido finíssimo a vedar-lhe o rosto. A luz vermelha a deixava bem visível. Ergui os olhos, observando-a. Notando minha curiosidade, aproximou-se. Pude então observar sua pele muito clara, nariz bem talhado. Sensibilizava-me a expressão delicada, própria dos anjos…

Scheilla retirou um pedaço de suas vestes e ofereceu a Ló. Depois, outros retalhos foram ofertados aos assistentes. Em seguida, recomendou apagar as luzes.

Celso de Castro, no dia seguinte, levou o pano ao Instituto de Tecnologia e Mineralogia de Minas Gerais e pediu aos colegas engenheiros para analisá-lo. Não explicou sua origem. O laudo: “Tecido estranho para as ciências. Nenhuma das partículas tem relação com seda, algodão, lã ou com todos os tecidos sintéticos.”

(trecho do cap. 48 do livro do mês)