A GRANDE LUZ

[…] Não obstante, ingênuos, os galileus pensavam nas questões imediatistas: a faina do dia, o aconchego do lar, o repouso, a devoção religiosa no sábado… Não aspiravam a mais altos e amplos ideais, pois não os necessitavam.

O pão, o vestuário, a família, a fé – eis as necessidades reais, prementes. O verbo divino despertava-os para a Vida, a conquista do país interior, o futuro eterno.

Ante a Sua presença alterava-se a paisagem dos sentimentos e penetrante música dominava-lhes a pauta do coração e a partitura da mente aos sons sublimes.

– O pão – refere-se Ele aos ouvintes curiosos, atentos – desgasta-se e a fome retorna… Mas o alimento da alma, que é o conhecimento da verdade, nutre-a para sempre.

A verdade, porém, que é, para aquele povo, que não aspira às grandes conquistas e se basta com o que tem e conforme vive?

Indiferente às tricas farisaicas, teme mais aos sacerdotes do que os ama e respeita.

Os puros de coração alienam-se dos dominadores pelo temor, embora estejam próximos pela servidão, que mais os afasta deles…

– A verdade – explica o Mensageiro de Deus – são o conhecimento de si mesmo, a auto-afirmação no Bem, a transformação pessoal para melhor, com incessante esforço de superação das imperfeições, a busca de vida eterna, a saúde integral…

Eles entendem, porque isso é lógico Porém, estão enfermos, trazem os seus doentes, a fim de constatarem a legitimidade do Embaixador.

As Suas credenciais devem ser apresentadas, a fim de que seja aceito na condição em que se faz conhecer.

Jesus, então, cura as enfermidades, fortalece as debilidades orgânicas, restaura o otimismo, compartilha do festival das dores humanas levando todos a estados majestosos, antissonantes, de ventura.[…]

(trecho do Cap. 2 do livro do mês)

LIVRO DE OUTUBRO – 2015

PELOS CAMINHOS DE JESUS

Amélia Rodrigues – psic. Divaldo P. Franco

 

Muitos já escreveram sobre a vida de Jesus. Contudo, a pena mediúnica de médiuns de maior respeitabilidade, foi capaz de descortinar-nos informações relevantes sobre os delicados acontecimentos que marcaram tão profunda-mente a história da Humanidade.

O Espírito Amélia Rodrigues é um desses nobres corações que vem descrever os detalhes das ricas passagens que a história preservou nos Evangelhos de Lucas, Marcos, João e Mateus.

Somente um estudo aprofundado de cada um dos quatro Evangelhos associado à historiografia da região e dos costumes dos povos, pode destacar o significado de cada lição que Jesus nos deixou com a própria vida. Porém, nos relatos de cada um de seus livros, a autora espiritual nos transporta no espaço e no tempo, descrevendo o ambiente e os costumes dos personagens que estão apresentados apenas de forma curta pelos evangelistas.

“Pelos Caminhos de Jesus” é uma de suas dez obras publicadas até hoje.

Pergunta no ar

Tempos depois do regresso de Jesus às Esferas Superiores, transformara-se Pedro, o apóstolo, em Jerusalém, no esteio firme da causa evangélica. Todos os dias, a faina difícil. Os necessitados de todas as procedências e, com os necessitados, os perseguidores, os adversários, os donos do sarcasmo, os campeões da galhofa e quantos compunham a multidão de obsessos e infelizes.

Simão, ora brando, ora enérgico, servia sempre.

(…) Nesse clima de diz-que-diz, achava­se Eliaquim, filho de Josias, à procura de ervilhas, em pequeno mercado de verduras, quando se viu à frente de Natan, fariseu letrado e rico da cidade, que passou a inquiri-lo de maneira direta:

– Então, é você agora um cliente daqueles que seguem o Messias?

– Sim – confirmou o interpelado. – Vi-me doente de um dia para o outro, e, além de tudo, despojado de todos os meus bens pela ambição de parentes ingratos. Em terrível penúria, recorri a Simão, que me acolheu. (…) Tenho hoje, com ele um novo lar.

Natan pousou a destra no ombro do amigo e murmurou:

– Eliaquim, francamente não entendo a razão pela qual tantos compatriotas se deixam embair pelas manhas do pescador que se faz de santo. Tenho lido e ouvido algo, acerca do Profeta Nazareno, e não lhe regateio admiração. Mas … Pedro? Um brutamontes mascarado de mestre? Descansei por várias semanas na Galiléia, junto ao lago, em cujas bordas andou Jesus ensinando a nova doutrina … E, em torno de Simão, apenas recolhi apontamentos escabrosos. (…) Além de tudo isso, é notório em Jerusalém que ele não tem cultura alguma. Arrasa com as nossas tradições e ensinamentos, quando se expõe a falar em público. O homem abre a boca e o desastre aparece. Confunde Isaías com Jeremias, atribui a David palavras de Moisés. (…) Que fazem vocês com um ferrabrás dessa ordem? Acaso, não buscam saber se Pedro possui moral bastante e educação suficiente para tratar de encargos de que ousadamente se ocupa?

(…) O interpelado fitou o poderoso fariseu, demoradamente, e, depois de alguns instantes de expectação, respondeu sem alterar-se:

– Natan, é verdade que Simão é um homem rude, com muitos defeitos, apesar dos tesouros de amor e serviço que derrama do coração, mas … e você, meu amigo? Você que possui milhares de livros e estudou ao pé dos sábios de Jerusalém e de Alexandria, você que conhece Roma e Atenas, talvez palmo a palmo, você que é proprietário de fazendas e terras, casas e rebanhos, você que pode ser virtuoso, provavelmente porque não tem nenhuma de nossas necessidades materiais, que faz você, por amor a Deus, em auxílio ao próximo?

Natan fixou um sorriso amarelo, deu de ombros, lançou saliva na terra seca, ergueu a cabeça altiva e afastou-se, enquanto a pergunta ficou no ar.

 (Irmão X – livro do mês)

LIVRO DE SETEMBRO – 2015

RELATOS DA VIDA

Irmão X – psic. F.C.Xavier

 

Humberto de Campos psicografou, pela pena do excelente médium Francisco Cândido Xavier, cinco livros, entre 1937 e 1943, utilizando-se do próprio nome, quando em vida física.

Posteriormente, para evitar novos problemas jurídicos para o médium, passou a utilizar-se do pseudônimo de “Irmão X” e psicografou mais nove livros, sendo sete deles entre 1945 e 1969. Após silenciar por 19 anos, psicografou, então, os dois últimos livros em 1988 e 1989.

Justificando o seu silêncio por tanto tempo naquele intervalo, ele respondeu a um companheiro encarnado que, em desdobramento, perguntava “porque motivo não mais escreveu livros para nossa edificação”:

– “Amigo, agradeço-lhe o interesse, mas não estou inativo. Apenas, por algum tempo, troquei a pena pela enxada de serviço. Por vários períodos anuais, estive na teoria. Agora estou na prática da assistência, na qual vivo aprendendo a renovar-me. Mas retomarei a pena, se o Senhor assim permitir”.

No dia seguinte, mostrou a Emmanuel “uma pasta antiga, da qual retirou vários retalhos de pergaminho contendo apontamentos valiosos e valiosos relatos da vida, com os quais formou o presente volume”.

Como os espíritas lidam com o suicídio?

Ao analisarmos o problema do suicídio, importa diferenciar o ato em si de quem o pratica. O suicídio é condenável sob qualquer aspecto ou pretexto. Se temos conhecimento da realidade hostil que aguarda o suicida no plano espiritual, não devemos economizar esforços para apoiar toda e qualquer iniciativa em favor da prevenção do auto-extermínio, dentro e fora do movimento espírita. Se a doutrina possui um vasto repertório de informações que nos ajudam a construir uma convicção a respeito do assunto, não há por que postergar a ação preventiva.

(…) A imensa dor que leva uma pessoa a buscar no suicídio uma solução merece de nossa parte atenção e respeito.

Como o espiritismo não admite penas eternas, todos temos a chance abençoada de nos recuperarmos e anularmos totalmente os efeitos negativos do ato suicida. Qual de nós já não terá passado pelo mesmo infortúnio nesta ou em outras vidas? Se conseguimos nos reerguer e seguir em frente não foi por que alguém nos acusou, ofendeu ou julgou. Foi porque alguém nos estendeu a mão, de forma solidária e amorosa. Essa rede de apoios é fundamental para que o suicida recupere a autoestima e dê o primeiro passo na direção certa. Mais amor cristão e menos preconceito. Caridade em lugar da condenação sumária. É o que se espera dos seguidores do espiritismo.”

(André Trigueiro – livro do mês)