O bico de luz

      Um homem transitava por estrada deserta, altas horas. Noite escura, sem luar, estrelas apagadas…

       Seguia apreensivo. Por ali ocorriam, não raro assaltos…

       Percebeu que alguém o acompanhava.

       -Olá! Quem vem aí? – perguntou, assustado.

       Não obteve resposta. Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Correu…

       O desconhecido também. Apavorado, em desabalada carreira, tão rápida quanto suas pernas permitiam, coração a galopar no peito, pulmões em brasa, passou a diante de um bico de luz. Olhou para trás e como por encanto, o medo desvaneceu-se. Seu perseguidor era apenas um velho burro, acostumado a acompanhar andarilhos.

       A história assemelha-se ao que ocorre com a morte. A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que os espera na espiritualidade.

       O Espiritismo é o “bico de luz” que ilumina os caminhos misteriosos do retorno, afugentando temores irracionais e constrangimentos perturbadores. Com a Doutrina Espírita podemos encarar a morte com serenidade, preparando-nos para enfrentá-la. Isso é muito importante, fundamental mesmo, já que se trata da única certeza da existência humana: todos morreremos um dia!

 (Richard Simonetti – no livro Quem tem medo da morte?)

LIVRO DE JUNHO – 2016

Quem tem medo da morte

Richard Simonetti

 

– Corpo Espiritual                 – Problemas de desligamento

– Aborto                                 – Suicídio

– Eutanásia                            – Cremação

– Desastres fatais                 – Cemitério

– Velório                                 – Premonição

– Falecimento de crianças  – Balanço existencial

Estes e muitos outros temas são abordados neste livro, onde o autor descreve as circunstâncias que envolvem o retorno à Vida Espiritual, oferecendo valiosa contribuição para que sejam superados milenares temores e angústias que afligem o homem quando cogita da morte.

Por que os espíritas não temem a morte

A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação; aí os vemos em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da felicidade e da desgraça, assistindo, enfim, a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os conforta; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade.

(Cap. II item 10 – O Céu e o Inferno)

LIVRO DE MAIO – 2016

O Céu e o Inferno
Allan Kardec

O tema geral do quarto livro que compõe o pentateuco kardequiano, céu e inferno, pode parecer, para alguns, um pouco desinteressante. Entretanto, como encontrar a solução de nossas questões filosóficas sobre a vida e a morte, sem tocar na questão do sofrimento e da felicidade que nos aguarda a todos na transposição desta vida terrena para a verdadeira vida?
Kardec neste livro aborda as noções de céu, inferno e purgatório, que todos trouxemos ao longo de tantas existências e que ainda formam o fundo de nossas ideias sobre a vida no além, oferecendo-nos uma perspectiva clara e consoladora, a partir dos ensinos dos Espíritos Superiores.
Apresenta também o depoimento das variedades de Espíritos que formam o cortejo de Espíritos felizes e infelizes, exemplificando tanto a bondade divina como a lei de causa e efeito.
Sua leitura, não só prestigia o esforço de nosso codificador, como nos oferece uma base segura para nossa formação pessoal no Espiritismo. Por este  motivo ele estará sendo alvo dos estudos da JEAG este mês e o próximo.

A Caminho da Luz

Enquanto as penosas transições do século XX se anunciam ao tinido sinistro das armas, as forças espirituais se reúnem para as grandes reconstruções do porvir.

Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo, e natural é que recordemos o ascendente místico de todas as civilizações que surgiram e desapareceram, evocando os grandes períodos evolutivos da Humanidade, com as suas misérias e com os seus esplendores, para afirmar as realidades espirituais acima de todos os fenômenos transitórios da matéria.

Esse esforço de síntese será o da fé reclamando a sua posição em face da ciência dos homens, e ante as religiões da separatividade, como a bússola da verdadeira sabedoria.

Diante dos nossos olhos de espírito passam os fantasmas das civilizações mortas, como se permanecêssemos diante de um “écran” maravilhoso. As almas mudam a indumentária carnal, no curso incessante dos séculos; constroem o edifício milenário da evolução humana com as suas lágrimas e sofrimentos, e até nossos ouvidos chegam os ecos dolorosos de suas aflições. Passam as primeiras organizações do homem e passam as suas grandes cidades, transformadas em ossuários silenciosos. O tempo, como patrimônio divino do espírito, renova as inquietações e angústias de cada século, no sentido de aclarar o caminho das experiências humanas. Passam as raças e as gerações, as línguas e os povos, os países e as fronteiras, as ciências e as religiões. Um sopro divino faz movimentar todas as coisas nesse torvelinho maravilhoso.

Estabelece-se, então, a ordem equilibrando todos os fenômenos e movimentos do edifício planetário, vitalizando os laços eternos que reúnem a sua grande família.

Vê-se, então, o fio inquebrantável que sustenta os séculos das experiências terrestres, reunindo-as, harmoniosamente, umas às outras, a fim de que constituam o tesouro imortal da alma humana em sua gloriosa ascensão para o Infinito.

(trecho da Introdução do livro do mês)