Painéis da obsessão

Na raiz de todas as enfermidades que sitiam o homem, encontramos, no desequilíbrio dele próprio, a sua causa preponderante.

(…) Em razão da conduta mental, as células são estimuladas ou bombardeadas pelos fluxos dos interesses que lhe apraz, promovendo a saúde ou dando gênese aos desequilíbrios que decorrem da inarmonia, quando essas unidades em estado de mitose degeneram, oferecendo campo às bactérias patológicas que se instalam vencendo os fatores imunológicos, desativados ou enfraquecidos pelas ondas contínuas de mau humor, pessimismo, revolta, ódio, ciúme, lubricidade e viciações de qualquer natureza que se transformam em poderosos agentes de perturbação e do sofrimento.

(…) Problemas de graves mutilações e deficiências, enfermidades irreversíveis surgem como efeitos da culpa guardada no campo da consciência, em forma de arrependimentos tardios pelas ações nefastas antes praticadas.

Neste capítulo, o das culpas, origina-se o fator causal para a injunção obsessiva. Daí, porque, só existem obsidiados, porque há dívidas a resgatar.

A obsessão resulta de um conúbio por afinidade de ambos os parceiros.

(…) No caso específico das obsessões entre encarnados e desencarnados, estes últimos, identificando a irradiação enfermiça do devedor, porque são também infelizes, iniciam o cerco ao adversário do pretérito, através de imagens, mediante as quais fazem-se notados, não necessitando de palavras para serem percebidos, insinuando-se com insistência até estabelecerem o intercâmbio que passam a comandar…

De início, é uma vaga idéia que assoma, depois, que se repete com insistência, até insculpir no receptor o clichê perturbante que dá início ao desajuste grave.

(…) É nessa fase, em que a vítima se rende às idéias infelizes que recebe, a elas se convertendo, que se originam os simultâneos desequilíbrios orgânicos e psíquicos de variada classificação.

(…) Só a radical mudança de comportamento do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão.

(Introdução do livro do mês)

LIVRO DE ABRIL

PAINÉIS DA OBSESSÃO

Manoel P. Miranda

psic. Divaldo P. Franco

 

Feito de painéis que retratam obsessões, este livro resume diversos estudos sobre essa palpitante questão, especialmente procurando demonstrar como, ao lado do desequilíbrio emocional causado pelos perturbadores do além-túmulo, a tuberculose mais facilmente se manifesta em razão do bombardeio sofrido pelos macrófagos, degenerados pela contínua ação mental leviana do próprio paciente e, também, decorrente da intoxicação por sucessivas ondas mentais desagregadoras do seu perseguidor, favorecendo, assim, a instalação e virulência do bacilo de Koch, com as consequências compreensíveis em quadro de tal natureza.

(…) Embora as personagens centrais da narrativa fossem conhecedoras da Doutrina Espírita, não deixaram de tombar nas ciladas que lhes foram armadas pelos inimigos, nem naquelas outras por si próprias estabelecidas.

A crença racional e o conhecimento são fatores muito poderosos, quando o indivíduo que se habilita aos mesmos está honestamente resolvido a vive-los.

Saber, apenas, não representa recurso de imunização, se aquele que conhece não se resolve por aplicar, na vivência, as informações que possui.

Causas atuais das aflições

De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.

Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!

Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!

Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.

Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.

Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.

(E.S.E. cap V item 4)

LIVRO DE MARÇO

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Allan Kardec

 No ano passado este livro completou 150 anos de sua publicação e já estamos conscientes de que o Espiritismo é o Consolador Prometido por Jesus, Consolador este anunciado pelo evangelista João, no capítulo 14, versículos 15 a 26.

Este, portanto, é o livro da codificação que nós espíritas, precisamos dedicar maior atenção, já que ele sintetiza a moral do Cristo em sua essência e é capaz de estabelecer uma linguagem comum entre todas as religiões.

Allan Kardec dedicou uma atenção toda especial para selecionar as mensagens dos Benfeitores que o assistiam e os versículos do Novo e Velho Testamentos, demonstran-do-nos que as revelações se completam de modo a preparar a nova era que em breve se iniciará.

A Humanidade hoje enfrenta graves de testemunhos e só o Evangelho esclarecido à luz da razão e vivido no coração poderá oferecer os recursos para consolidação de nossa fé e confiança no futuro.

A despedida do Carnaval

Lembrei-me da querida professora de Geografia, daqueles dias recuados da minha infância, e da importância de entendermos a doutrina dentro desse contexto de tríplice aspecto, o científico, o filosófico e o moral, lendo o capítulo 23 do livro Nas Fronteiras da Loucura, de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, ditado ao médium Divaldo Franco.

No referido capítulo está o relato da história de dois casais: Júlia e Otávio, Marcondes e Raulinda, quatro pessoas comuns, pais dedicados.

De repente, a mediunidade aflora em Júlia. Buscam, então, uma Casa Espírita e vêem a realidade da sobrevivência, com base nas comunicações e na orientação dos Espíritos.

Passam a dedicar-se às atividades de caráter social. Um deles, que era médico, Dr. Otávio, prontifica-se ao atendimento gratuito aos enfermos, tanto no Centro como no consultório. O outro casal trazia na memória espiritual, nos arquivos do perispírito, a recomendação de produzir para o bem na atual reencarnação.

Chegaram na Casa Espírita atraídos pela Ciência Espírita, através da mediunidade, e ali encontraram a Filosofia  Espírita, ao lhes ser esclarecido quem somos, de onde procedemos, para onde vamos, qual o nosso destino, a razão da dor, do sofrimento, a importância da caridade, etc.

Com base nessas informações, ante o impacto da sintomatologia mediúnica e da filosofia imortalista, o que pensaram Júlia e seus amigos?

Que muito nas suas vidas, a partir de então, iria mudar.

Que se encontravam no pórtico de uma vida nova.

Entretanto, mesmo com essas informações preliminares, eles tomam uma decisão:  fazer a despedida do carnaval! Divertir-se a valer! E apresentam uma justificativa: não ficarem, os quatro, frustrados no futuro!

O que teria faltado aos entusiasmados casais para uma decisão tão insólita? Certamente a terceira indagação: para que tudo isto? Qual o verdadeiro convite que lhes estava fazendo a fenomenologia mediúnica? Que novos caminhos estava apontando?

(trecho do cap. 2 do livro do mês)