Pergunta no ar

Tempos depois do regresso de Jesus às Esferas Superiores, transformara-se Pedro, o apóstolo, em Jerusalém, no esteio firme da causa evangélica. Todos os dias, a faina difícil. Os necessitados de todas as procedências e, com os necessitados, os perseguidores, os adversários, os donos do sarcasmo, os campeões da galhofa e quantos compunham a multidão de obsessos e infelizes.

Simão, ora brando, ora enérgico, servia sempre.

(…) Nesse clima de diz-que-diz, achava­se Eliaquim, filho de Josias, à procura de ervilhas, em pequeno mercado de verduras, quando se viu à frente de Natan, fariseu letrado e rico da cidade, que passou a inquiri-lo de maneira direta:

– Então, é você agora um cliente daqueles que seguem o Messias?

– Sim – confirmou o interpelado. – Vi-me doente de um dia para o outro, e, além de tudo, despojado de todos os meus bens pela ambição de parentes ingratos. Em terrível penúria, recorri a Simão, que me acolheu. (…) Tenho hoje, com ele um novo lar.

Natan pousou a destra no ombro do amigo e murmurou:

– Eliaquim, francamente não entendo a razão pela qual tantos compatriotas se deixam embair pelas manhas do pescador que se faz de santo. Tenho lido e ouvido algo, acerca do Profeta Nazareno, e não lhe regateio admiração. Mas … Pedro? Um brutamontes mascarado de mestre? Descansei por várias semanas na Galiléia, junto ao lago, em cujas bordas andou Jesus ensinando a nova doutrina … E, em torno de Simão, apenas recolhi apontamentos escabrosos. (…) Além de tudo isso, é notório em Jerusalém que ele não tem cultura alguma. Arrasa com as nossas tradições e ensinamentos, quando se expõe a falar em público. O homem abre a boca e o desastre aparece. Confunde Isaías com Jeremias, atribui a David palavras de Moisés. (…) Que fazem vocês com um ferrabrás dessa ordem? Acaso, não buscam saber se Pedro possui moral bastante e educação suficiente para tratar de encargos de que ousadamente se ocupa?

(…) O interpelado fitou o poderoso fariseu, demoradamente, e, depois de alguns instantes de expectação, respondeu sem alterar-se:

– Natan, é verdade que Simão é um homem rude, com muitos defeitos, apesar dos tesouros de amor e serviço que derrama do coração, mas … e você, meu amigo? Você que possui milhares de livros e estudou ao pé dos sábios de Jerusalém e de Alexandria, você que conhece Roma e Atenas, talvez palmo a palmo, você que é proprietário de fazendas e terras, casas e rebanhos, você que pode ser virtuoso, provavelmente porque não tem nenhuma de nossas necessidades materiais, que faz você, por amor a Deus, em auxílio ao próximo?

Natan fixou um sorriso amarelo, deu de ombros, lançou saliva na terra seca, ergueu a cabeça altiva e afastou-se, enquanto a pergunta ficou no ar.

(texto adaptado do livro do mês)

LIVRO DE NOVEMBRO

Primícias do Reino

Amélia Rodrigues– psic. Divaldo P. Franco

 

A autora demonstra a sua grande sensibilidade ao trazer-nos as recordações da passagem de Jesus pela Terra. Ergue-nos a imaginação a alturas que não somos ainda capazes de alçar por nós mesmos. Faz-nos sentir o Meigo Rabino como se estivéssemos em Sua suave presença junto aos homens daquela época.

Algumas das passagens mais relevantes do Novo Testamento são aqui apresentadas com detalhes e cores não contidos no livro sagrado das Escrituras cristãs.

Aqui as situações se desdobram e são contextualizadas de modo a nos dar uma visão muito mais ampla dos acontecimentos.

Para nós ainda é muito difícil alcançar a extensão e a gravidade da vinda de Jesus entre os homens. Mas Amélia Rodrigues no-Lo aproxima de tal modo que torna-se mais simples entender que o Seu amor pela Humanidade terrena ultrapassou os limites estreitos da carne para fazer-se luz à nossa ignorância.

As Boas Novas

O mergulho de Jesus nos fluidos grosseiros do orbe terráqueo é a história da redenção da própria humanidade, que sai das furnas do “eu” para os altos píncaros da liberdade.

Vivendo nos reinados de Augusto e Tibério cujas vidas assinalaram com vigor inusitado a História, o Seu berço e Seu túmulo marcaram indelevelmente os tempos, constituindo sinal divisório da Civilização, acontecimento predominante nos fastos da vida humana.

Aceitando como berço o reduto humílimo de uma estrebaria, no momento significativo de um censo, elaborou, desde o primeiro momento, a profunda lição da humildade para inaugurar um reinado diferente entre as criaturas, no justo momento em que a supremacia da força entronizava o gládio e a púrpura atapetava o solo, alcatifando o piso por onde passavam os triunfadores.

E não se afastou, jamais, da diretriz inicial assumida: a de servo de todos.

***

Ele chega silencioso, pulcro, e fica.

Reúne a malta dos aflitos e os agasalha ao próprio peito.

Nada solicita, coisa alguma exige.

Admoesta e ajuda.

Verbera, rigoroso, e socorre.

As Suas Boas Novas são orquestradas pela musicalidade espontânea da Natureza, no cenário das primaveras e dos verões, entre as aldeias e o lago, no coração exuberante da Terra em crescimento…

E traído, magoado, encarcerado, vencido numa Cruz, elege uma tranquila e luminosa manhã para ressurgir, buscando uma antiga obsidiada para dizer-lhe que a vida não cessa, e que o Reino de Deus está dentro do coração…

(Amélia Rodrigues  no livro Primícias do Reino)

 

LIVRO DE OUTUBRO

Estudando a Mediunidade

Martins Peralva

 

Estudioso do Espiritismo e trabalhador dedicado na seara espírita, o autor nos apresenta neste livro o resultado do seu trabalho de estudo do livro “Nos Domínios da Mediunidade” do Espírito André Luiz, pela psicografia de quem ele teve o privilégio de haver comungado da intimidade, o nosso querido Chico Xavier,.

“Baseia-se, portanto, nas observações desse Espírito (André Luiz) quando, sob a esclarecida orientação do Assistente Áulus, e na companhia de Hilário, visitou diversos núcleos espíritas consagrados ao serviço mediúnico”, explica o próprio autor na Introdução.

Apresenta, de forma muito fácil e didática, com esquemas gráficos e desenhos, as anotações desenvolvidas nas aulas de seu estudo sistemático, capítulo a capítulo, do livro no Centro Espírita Célia Xavier.