Toc-toc-toc

Sabemos que a evocação do passado e o registro do presente dependem das conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses. Há uma perda de ambos com o passar do tempo. O cérebro também envelhece. Mas, e o Espírito? Não reside no ser pensante, imortal, a sede da memória? Não está o Espírito isento de degeneração celular?

Obviamente, sim! Ocorre que, enquanto encarnados, dependemos do corpo para as inserções mneumônicas na dimensão física, tanto quanto o pianista depende do piano ou o orador depende das cordas vocais. Uma das razões pelas quais não temos consciência das vidas anteriores é a ausência de registros relacionados com elas em nosso cérebro. Pelo mesmo motivo, temos dificuldades para lembrar as experiências extracorpóreas, durante as horas de sono, na emancipação da alma, como define Allan Kardec.

[…] Sabe-se hoje que é possível prolongar o viço, cultivando existência saudável – ginástica, alimentação adequada, disciplina de trabalho e repouso, ausência de vícios…

[…] A experiência demonstra: as pessoas que cultivam o hábito de ler chegam mais longe com lucidez, preservam a memória, não obstante o avançar dos anos.

[…] Um velhinho de oitenta anos propôs-se a tocar piano. O professor alertou:

– Estudo longo e cansativo. Pela ordem natural, o senhor não usufruirá desse aprendizado.

E ele, animado:

– De forma alguma! Se não der para tocar aqui, serei pianista no Além!

Certíssimo! É assim que crescemos espiritualmente e mantemos “azeitadas” as engrenagens da mente, para que nunca nos falte esse elan que valoriza e torna feliz a existência, promovendo nossa evolução.

(Trecho do livro do mês)

LIVRO DE MARÇO – 2018

Abaixo a depressão

Richard Simonetti

 Quaisquer que sejam suas origens, geralmente a depressão instala-se a partir de nossas disposições íntimas e da maneira como enfrentamos os desafios da existência.

Nesse particular, a experiência tem ensinado que o bom humor e a reflexão, o rir aliado ao refletir, fortalecem o ânimo e iluminam caminhos, permitindo-nos evitar ou deixar seus escuros abismos, marcados pelo desencanto de viver.

Não há depressão que resista ou se instale num coração risonho, plugado em cérebro disposto a justificar sua existência com o exercício da razão.

Essa é a proposta deste livro, conforme o estilo consagrado do autor, oferecendo páginas bem humoradas como introdução a reflexões sobre a existência humana que nos permitem espantar tensões e angústias que alimentam a depressão.

ENCONTRO EM HOLLYWOOD

Caminhávamos, alguns amigos, admirando a paisagem do Wilshire Boulevard, em Hollywood, quando fizemos parada, ante a serenidade do Memoriam Park Cemetery, entre o nosso caminho e os jardins de Glendon Avenue.

A formosa mansão dos mortos mostrava grande movimentação de Espíritos libertos da experiência física, e entramos.

Tudo, no interior, tranqüilidade e alegria.

Os túmulos simples pareciam monumentos erguidos à paz, induzindo à oração. Entre as árvores que a primavera pintara de verde novo, numerosas entidades iam e vinham, muitas delas escoradas umas nas outras, à feição de convalescentes, sustentadas por enfermeiros em pátio de hospital agradável e extenso.

Numa esquina que se alteava com o terreno, duas laranjeiras ornamentais guardavam o acesso para o interior de pequena construção que hospeda as cinzas de muitas personalidades que demandaram o Além, sob o apreço do mundo. A um canto, li a inscrição: “Marilyn Monroe – 1926-1962”. Surpreendido, perguntei a Clinton, um dos amigos que nos acompanhavam:

– Estão aqui os restos de Marilyn, a estrela do cinema, cuja história chegou até mesmo ao conhecimento de nós outros, os desencarnados de longo tempo no Mundo Espiritual?

– Sim – respondeu ele, e acentuou com expressão significativa: – não se detenha, porém, a tatear-lhe a legenda mortuária… Ela está viva e você pode encontrá-la. Aqui e agora…

(Irmão X – trecho do livro do mês)

LIVRO DE FEVEREIRO – 2018

Estante da Vida

Irmão X – Psic. F.C.Xavier

 

Mais um livro de Irmão X para o nosso júbilo.

Sua narrativa especial de grande literato da Academia Brasileira de Letras, quando encarnado, agora direcionada para a evangelização de nossos corações, através da psicografia de Chico Xavier, faz da leitura um momento bastante agradável.

Cada nova crônica é um ensinamento a nos auxiliar a relacionar as atividades simples de nossa vida terrena com o objetivo essencial da existência na Terra.

Ele abre este livro com uma entrevista à artista muito conhecida de Hollywood, Marlyn Moroe. Nesta entrevista, Marlyn nos aponta sua nova perspectiva sobre o que significa uma vida no corpo de carne, bem como informa o equivocado diagnóstico sobre a sua morte.

A DÁDIVA MAIOR (O óbulo da viúva)

– Em verdade, esta pobre viúva deu mais que todos os poderosos aqui reunidos, porquanto não vacilou em confiar ao Templo quanto possuía para o sustento próprio.

A observação caridosa e bela congelou a crítica reinante. Pouco a pouco, o recinto enorme tornou à calma. Israelitas nobres e sem nome abandonaram, rumorosamente, o domicílio da fé.

Jesus e os apóstolos foram os derradeiros na retirada. Quando se dispunham a deixar a enorme sala vazia, eis que uma escrava de rosto avelhentado e passos vacilantes surgiu no limiar para atender à limpeza.

Movimenta-se em minutos rápidos. Aqui, recolhe flores esmagadas, além, absorve em panos úmidos os detritos deixados por enfermos descuidados. Tem um sorriso nos lábios e a paciência no olhar, brunindo o piso em silêncio, para que o ar se purificasse na sublime residência da Lei.

Pedro, agora a sós com o Messias, ainda impressionado com as lições recebidas, ousou interrogar:

– Senhor, foi então a viúva pobre a maior doadora no Templo de nosso Pai?

– Realmente – elucidou Jesus, em tom fraterno –, a viúva deu muitíssimo, porque, enquanto os grandes senhores aqui testemunharam a própria vaidade, com inteligência, desfazendo-se de bens que só lhes constituíam embaraço à tranquilidade futura, ela entregou ao Todo-Poderoso aquilo que significava alimento para o próprio corpo…

Em seguida a leve pausa, apontou com o indicador a serva anônima que se incumbia da limpeza sacrificial e concluiu :

– A maior benfeitora para Deus, aqui, no entanto, ainda não é a viúva humilde que se desfez do pão de um momento… É aquela mulher dobrada de trabalho, frágil e macilenta, que está fornecendo à grandeza do Templo o seu próprio suor.

(Irmão X – trecho do livro do mês)