Jesus no lar

Para a generalidade dos estudiosos, o Cristo permanece tão-somente situado na História modificando o curso dos acontecimentos políticos do mundo; para a maioria dos teólogos, é simples objeto de estudo, nas letras sagradas, imprimindo novo rumo às interpretações da fé; para os filósofos, é o centro de polêmicas infindáveis, e, para a multidão dos crentes inertes, é o benfeitor providencial nas crises inquietantes da vida comum.

Todavia, quando o homem percebe a grandeza da Boa Nova, compreende que o Mestre não é apenas o reformador da civilização, o legislador da crença, o condutor do raciocínio ou o doador de facilidades terrestres, mas também, acima de tudo, o renovador da vida de cada um.

Atingindo esse ápice do entendimento, a criatura ama o templo que lhe orienta o modo de ser; contudo, não se restringe às reuniões convencionais para as manifestações adorativas e, sim, traz o Amigo Celeste ao santuário familiar, onde Jesus, então, passa a controlar as paixões, a corrigir as maneiras e a inspirar as palavras, habilitando o aprendiz a traduzir-lhe os ensinamentos eternos através de ações vivas, com as quais espera o Senhor estender o divino reinado da paz e do amor sobre a Terra.

Quando o Evangelho penetra o Lar, o coração abre mais facilmente a porta ao Mestre Divino.

Neio Lúcio conhece esta verdade profunda e consagra aos discípulos novos algumas das lições do Senhor no círculo mais íntimo dos apóstolos e seguidores da primeira hora. Hoje, que quase vinte séculos são já decorridos sobre as primícias da Boa Nova, o domicílio de Simão se transformou no mundo inteiro…

Jesus continua falando aos companheiros de todas as latitudes. Que a sua voz incisiva e doce possa gravar no livro de nossa alma a lição renovadora de que carecemos à frente do porvir, convertendo-nos em semeadores ativos de seu infinito amor, é a felicidade maior a que poderemos aspirar.

(Emmanuel no prefácio do livro Jesus no Lar – psic. F.C.Xavier)

LIVRO DE FEVEREIRO

Missionários da Luz

André Luiz – psic. F.C.Xavier

 

Neste livro, André Luiz, entre outras experiências, desvenda os segredos da reencarnação, revelando a tarefa dos Espíritos missionários encarregados do processo do renascimento.

O autor espiritual mostra-nos que a morte física não é o fim e destaca a importância do esforço próprio na luta pelo auto-aperfeiçoamento.

Em vinte capítulos discorre sobre a continuação do aprendizado na vida espiritual, o perispírito como organização viva moldando as células materiais, a reencarnação orientada pelos Espíritos Superiores e aspectos diversos das manifestações mediúnicas.

Missionários da Luz ensina que a Providência Divina concede, sempre, ao homem, novos campos de trabalho, através da renovação incessante da vida por meio da reencarnação.

É, realmente, o que deve nos interessar, tudo o que precisamos saber sobre o assunto, para um viver mais seguro, tranqüilo e feliz, passageiros que somos da eternidade a transitar de existência em existência, rumo à gloriosa destinação.

No plano dos sonhos

… O homem eterno guarda a lembrança completa e conserva consigo todos os ensinamentos, intensificando-os e valorizando-os, de acordo com o estado evolutivo que lhe é próprio. O homem físico, entretanto, escravo de limitações necessárias, não pode ir tão longe. O cérebro de carne, pelas injunções da luta a que o Espírito foi chamado a viver, é aparelho de potencial reduzido, dependendo muito da iluminação de seu detentor, no que se refere à fixação de determinadas bênçãos divinas. Desse modo, André, o arquivo de semelhantes reminiscências, no livro temporário das células cerebrais, é muito diferente nos discípulos entre si, variando de alma para alma. Entretanto, cabe-me acrescentar que, na memória de todos os irmãos de boa vontade, permanecerá, de qualquer modo, o benefício, ainda mesmo que eles, no período de vigília, não consigam positivar a origem.

(trecho do livro do mês – Missionários da Luz)

LIVRO DE JANEIRO

RELATOS DA VIDA

Irmão X – psic. F.C.Xavier

 

Humberto de Campos psicografou, pela pena do excelente médium Francisco Cândido Xavier, cinco livros, entre 1937 e 1943, utilizando-se do próprio nome, quando em vida física.

Posteriormente, para evitar novos problemas jurídicos para o médium, passou a utilizar-se do pseudônimo de “Irmão X” e psicografou mais nove livros, sendo sete deles entre 1945 e 1969. Após silenciar por 19 anos, psicografou, então, os dois últimos livros em 1988 e 1989.

Justificando o seu silêncio por tanto tempo naquele intervalo, ele respondeu a um companheiro encarnado que, em desdobramento, perguntava “porque motivo não mais escreveu livros para nossa edificação”:

– “Amigo, agradeço-lhe o interesse, mas não estou inativo. Apenas, por algum tempo, troquei a pena pela enxada de serviço. Por vários períodos anuais, estive na teoria. Agora estou na prática da assistência, na qual vivo aprendendo a renovar-me. Mas retomarei a pena, se o Senhor assim permitir”.

No dia seguinte, mostrou a Emmanuel “uma pasta antiga, da qual retirou vários retalhos de pergaminho contendo apontamentos valiosos e valiosos relatos da vida, com os quais formou o presente volume”.

Pergunta no ar

Tempos depois do regresso de Jesus às Esferas Superiores, transformara-se Pedro, o apóstolo, em Jerusalém, no esteio firme da causa evangélica. Todos os dias, a faina difícil. Os necessitados de todas as procedências e, com os necessitados, os perseguidores, os adversários, os donos do sarcasmo, os campeões da galhofa e quantos compunham a multidão de obsessos e infelizes.

Simão, ora brando, ora enérgico, servia sempre.

(…) Nesse clima de diz-que-diz, achava­se Eliaquim, filho de Josias, à procura de ervilhas, em pequeno mercado de verduras, quando se viu à frente de Natan, fariseu letrado e rico da cidade, que passou a inquiri-lo de maneira direta:

– Então, é você agora um cliente daqueles que seguem o Messias?

– Sim – confirmou o interpelado. – Vi-me doente de um dia para o outro, e, além de tudo, despojado de todos os meus bens pela ambição de parentes ingratos. Em terrível penúria, recorri a Simão, que me acolheu. (…) Tenho hoje, com ele um novo lar.

Natan pousou a destra no ombro do amigo e murmurou:

– Eliaquim, francamente não entendo a razão pela qual tantos compatriotas se deixam embair pelas manhas do pescador que se faz de santo. Tenho lido e ouvido algo, acerca do Profeta Nazareno, e não lhe regateio admiração. Mas … Pedro? Um brutamontes mascarado de mestre? Descansei por várias semanas na Galiléia, junto ao lago, em cujas bordas andou Jesus ensinando a nova doutrina … E, em torno de Simão, apenas recolhi apontamentos escabrosos. (…) Além de tudo isso, é notório em Jerusalém que ele não tem cultura alguma. Arrasa com as nossas tradições e ensinamentos, quando se expõe a falar em público. O homem abre a boca e o desastre aparece. Confunde Isaías com Jeremias, atribui a David palavras de Moisés. (…) Que fazem vocês com um ferrabrás dessa ordem? Acaso, não buscam saber se Pedro possui moral bastante e educação suficiente para tratar de encargos de que ousadamente se ocupa?

(…) O interpelado fitou o poderoso fariseu, demoradamente, e, depois de alguns instantes de expectação, respondeu sem alterar-se:

– Natan, é verdade que Simão é um homem rude, com muitos defeitos, apesar dos tesouros de amor e serviço que derrama do coração, mas … e você, meu amigo? Você que possui milhares de livros e estudou ao pé dos sábios de Jerusalém e de Alexandria, você que conhece Roma e Atenas, talvez palmo a palmo, você que é proprietário de fazendas e terras, casas e rebanhos, você que pode ser virtuoso, provavelmente porque não tem nenhuma de nossas necessidades materiais, que faz você, por amor a Deus, em auxílio ao próximo?

Natan fixou um sorriso amarelo, deu de ombros, lançou saliva na terra seca, ergueu a cabeça altiva e afastou-se, enquanto a pergunta ficou no ar.

(texto adaptado do livro do mês)