HOMEM E ONDAS

Simplificando conceitos em torno da escala das ondas, recordemos que, oscilando de maneira integral, sacudidos simplesmente nos elétrons de suas órbitas ou excitados apenas em seus núcleos, os átomos lançam de si ondas que produzem calor e som, luz e raios gama, através de inumeráveis combinações.

Assim é que entre as ondas da corrente alter­nada para objetivos industriais, as ondas do rádio, as da luz e dos raios X, tanto quanto as que de­finem os raios cósmicos e as que se superpõem além deles, não existe qualquer diferença de natu­reza, mas sim de frequência, considerado o modo em que se exprimem.

E o homem, colocado nas faixas desse imenso domínio, em que a matéria quanto mais estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação, somente assinala as ondas que se lhe afinam com o modo de ser.

Temo-lo, dessa maneira, por viajante do Cos­mo, respirando num vastíssimo império de ondas que se comportam como massa ou vice-versa, con­dicionado, nas suas percepções, à escala do pro­gresso que já alcançou, progresso esse que se mostra sempre acrescentado pelo patrimônio de ex­periência em que se gradua, no campo mental que lhe é característico, em cujas dimensões revela o que a vida já lhe deu, ou tempo de evolução, e aquilo que ele próprio já deu à vida, ou tempo de esforço pessoal na construção do destino. Para a valorização e enriquecimento do caminho que lhe compete percorrer, recebe dessa mesma vida, que o acalenta e a que deve servir, o tesouro do cére­bro, por intermédio do qual exterioriza as ondas que lhe marcam a individualidade, no concerto das forças universais, e absorve aquelas com as quais pode entrar em sintonia, ampliando, os recursos do seu cabedal de conhecimento, e das quais se deve aproveitar, no aprimoramento intensivo de si mesmo, no trabalho da própria sublimação.

(Trecho do cap. 1 do livro do mês)