Alguns artigos do Código penal da vida

1º – A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.

2º A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.

10º – O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a conseqüência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências.

16º – O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.

17º – O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são conseqüentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal.

20º – Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona.

LIVRO DE JUNHO – 2018

O Céu e o Inferno

Allan Kardec

Está sendo comemorado, neste ano, os 160 anos da publicação deste livro, que é um dos cincos livros principais da Codificação.

Nele estão contidas anotações de Kardec sobre os ensinamentos dados pelos Espíritos a respeito da justiça divina. Nota-se a inspiração dos  Espíritos que o assistiram na elaboração de toda a Codificação.

Além do depoimento de diversos Espíritos nas mais variadas condições espirituais, o que constitui a 2ª parte desta obra, na 1ª parte Kardec faz uma análise preciosa das diversas correntes filosóficas que ainda hoje persistem sobre os destinos da alma após a morte, tais como: o céu, o inferno, o purgatório, os anjos, os demônios, etc.

Em um dos capítulos notáveis, onde é apresentada a visão espírita sobre as penas futuras, Kardec escreve o Código penal da vida futura, em que fica patente a justiça divina sob um prisma lógico e consolador.

Isso explica o nome completo que foi dado ao livro: O Céu e o Inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo.

Ressentimento, culpa, ciúme e ansiedade

É compreensível o surgimento de uma certa frustração e mesmo de desagrado diante de confrontos e de agressões promovidos por outrem, dando lugar a mágoas, que são uma certa aflição de caráter transitório, não, porém, à instalação do ressentimento. Segundo Spinoza, “a emoção que é sofrimento deixa de sê-lo no momento em que dela formamos uma ideia clara e nítida”. Enquanto fixada em algum dos instintos básicos, a emoção é geradora de sofrimento, em face dos impositivos de que se reveste, como fenômeno sem controle, como capricho decorrente de imaturidade psicológica.

[…]Duas são as causas psicológicas da culpa: a que procede da sombra escura do passado, da consciência que se sente responsável por males que haja praticado em relação a outrem e a que tem sua origem na infância, como decorrente da educação que é ministrada. A culpa é resultado da raiva que alguém sente contra si mesmo, voltada para dentro, em forma de sensação de algo que foi feito erradamente.

[…]Porque não consegue manter um bom nível de autoestima, (o ciumento) acredita não merecer o carinho nem o devotamento de outrem, afligindo-se, em razão do medo de perder-lhe a companhia. Esse tormento faz-se tão cruel, que se encarrega, inconscientemente, de afastar a outra pessoa, tornando-lhe a convivência insuportável, em face da geração de contínuos conflitos que o inseguro se permite.

[…]O quadro de ansiedade varia de um para outro indivíduo, embora, as características sintomatológicas sejam equivalentes. Estressando-se com facilidade, em razão da falta de autoconfiança e de harmonia interna, o paciente tende a padecer transtornos depressivos, quase sempre de natureza bipolar, com graves ressonâncias nos equipamentos neuronais.

(Trechos dos capítulos 5 a 8 do livro do mês)

LIVRO DE MAIO – 2018

Conflitos Existenciais

Joanna de Ângelis – psic. Divaldo P.Franco

 A sugestão do livro do mês foi mantida, tendo em vista que, além de ter sido escolhido como o livro base de estudo dos pais da Escola Espírita de Evangelho Gamaliel, os jovens da Juventude Espírita Abel Gomes estarão estudando-o em uma unidade de 7 estudos que se iniciaram no final de abril e terminarão no início de junho.

Assim, os mais graves e palpitantes assuntos, tais como: o medo, a raiva, a preguiça, o ciúme, o violência, o amor, a morte, as fugas psicológicas e tantos outros conflitos, estão sendo abordados sob as diretrizes que a benfeitora espiritual definiu neste livro.

Fugas, preguiça, raiva e medo

[…] as sucessivas descargas emocionais perturbadoras de tal forma sobrecarregam os nervos que, invariavelmente, transferem aquelas mais difíceis de contornadas e aceitas, para os arquivos do inconsciente, dando lugar às fugas psicológicas em que se comprazem muitos pacientes. Ao invés dos enfrentamentos dos problemas com naturalidade, determinadas predisposições emocionais impedem a aceitação das ocorrências mais exaustivas, produzindo um mecanismo automático escapista, mediante o qual parece livrar-se da dificuldade, quando, apenas, posterga.

A preguiça […] surge, naturalmente, expressando-se como efeito de algum tipo de cansaço ou mesmo necessidade de repouso, de recomposição das forças e do entusiasmo para a luta existencial. Todavia, quando se torna prolongado o período reservado para o refazimento das energias, optando-se pela comodidade que se nega às atitudes indispensáveis ao progresso, apresenta-se como fenômeno anômalo.

A raiva é um sentimento que se exterioriza toda vez que o ego sente-se ferido, liberando esse abominável adversário que destrói a paz no indivíduo. Instala-se inesperadamente, em face de qualquer conflito expresso ou oculto, desferindo golpes violentos de injúria e de agressividade. […] De algum forma, a raiva é um mecanismo de defesa do referido instinto de conservação da vida, que se opõe a qualquer ocorrência que interpreta como agressão, reagindo, de imediato, quando deveria agir de maneira racional.

Todos são vítimas do medo em relação ao desconhecido como ocorrência normal. Quando se aguarda a concretização de algo ambicionado, é natural que ocorram dúvidas em forma de medo da sua não viabilidade; quando alguém se afeiçoa por outrem ocorre o medo de não ser correspondido; em face da instabilidade dos fenômenos existenciais o medo ocupa um lugar de destaque, assim como ocorre a outros sentimentos. Todavia, quando extrapola, gerando situações conflitivas, dando largas à imaginação atormentada, propiciando ansiedade, sudorese, arritmia cardíaca, identifica-se a de imediato um pavor que assoma e ameaça a estabilidade emocional.

(Trechos do livro do mês)