A DÁDIVA MAIOR (O óbulo da viúva)

– Em verdade, esta pobre viúva deu mais que todos os poderosos aqui reunidos, porquanto não vacilou em confiar ao Templo quanto possuía para o sustento próprio.

A observação caridosa e bela congelou a crítica reinante. Pouco a pouco, o recinto enorme tornou à calma. Israelitas nobres e sem nome abandonaram, rumorosamente, o domicílio da fé.

Jesus e os apóstolos foram os derradeiros na retirada. Quando se dispunham a deixar a enorme sala vazia, eis que uma escrava de rosto avelhentado e passos vacilantes surgiu no limiar para atender à limpeza.

Movimenta-se em minutos rápidos. Aqui, recolhe flores esmagadas, além, absorve em panos úmidos os detritos deixados por enfermos descuidados. Tem um sorriso nos lábios e a paciência no olhar, brunindo o piso em silêncio, para que o ar se purificasse na sublime residência da Lei.

Pedro, agora a sós com o Messias, ainda impressionado com as lições recebidas, ousou interrogar:

– Senhor, foi então a viúva pobre a maior doadora no Templo de nosso Pai?

– Realmente – elucidou Jesus, em tom fraterno –, a viúva deu muitíssimo, porque, enquanto os grandes senhores aqui testemunharam a própria vaidade, com inteligência, desfazendo-se de bens que só lhes constituíam embaraço à tranquilidade futura, ela entregou ao Todo-Poderoso aquilo que significava alimento para o próprio corpo…

Em seguida a leve pausa, apontou com o indicador a serva anônima que se incumbia da limpeza sacrificial e concluiu :

– A maior benfeitora para Deus, aqui, no entanto, ainda não é a viúva humilde que se desfez do pão de um momento… É aquela mulher dobrada de trabalho, frágil e macilenta, que está fornecendo à grandeza do Templo o seu próprio suor.

(Irmão X – trecho do livro do mês)

LIVRO DE JANEIRO – 2018

PONTOS E CONTOS

Irmão X – Psic. F.C.Xavier

 Humberto de Campos, depois das questões judiciais sobre o seu nome, utiliza o pseudônimo de Irmão X, para continuar a trazer a sua contribuição literária através da psicografia de Chico Xavier.

Este livro, como tantos outros mais, nos apresenta novas crônicas contendo, além das ilustrações dos ensinos morais para auxiliar a nossa reforma íntima, passagens do Evangelho com novas cores e em matizes variados.

Ler Irmão X é aproveitar o lazer de uma boa leitura com o estudo de novos conhecimentos.

SUBLIME ENCANTAMENTO

Chegara o momento em que Jesus deveria iniciar o Seu ministério.

Num magnífico dia de sol, enquanto todos laboravam como de costume, Êle saiu a pescar homens para o Seu reino, para a implantação de uma diferente Era como jamais dantes ou depois houvera ou se repetiria.

Caminhando vagarosamente acercou-se de uma barca onde os irmãos Pedro e André, irmãos Boanerges (por Jesus apelidados como filhos do trovão) se encontravam e, após fitá-los demoradamente, produzindo nos observados certa estranheza, pois que O não conheciam, disse:

– «Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.» (Mateus cap. 4, 19)

Uma harmonia em comum penetrou-lhes as almas e eles ficaram extasiados. Ninguém nunca lhes falara naquele tom, daquela forma. O estranho continuou olhando-os de maneira transparente e doce, aguardando.

Na acústica do ser identificaram aquela voz que parecia adormecida por muito tempo e agora ecoava suavemente.

Não sabiam qual era a intenção dÊle, nem os recursos que possuía, sequer podiam identificar o a que se referia, percebendo somente que era irresistível o Seu convite.

Desse modo, magnetizados pela Sua presença, deixaram o que estavam diligenciando e O seguiram.

(Trechos do cap. 4 do livro do mês)

LIVRO DE DEZEMBRO – 2017

VIVENDO COM JESUS

 Amélia Rodrigues – psic. Divaldo P. Franco

 “…Veio Jesus, o peregrino cantor da Galiléia, e apresentou a chave da harmonia, da autorealização, em um conceito simples, numa linguagem destituída de atavismo, numa lógica incomum, apresentando o amor, puro e simples, como sendo a única e eficaz solução para todos os enigmas e conflitos.

Enquanto vicejarem a força e o poder desmedido, sempre se apresentarão a desdita e o desespero como resposta da vida a esses vassalos da inferioridade humana…”

Em uma de suas mensagens memoriáveis, por intermédio da mediunidade privilegiada de Divaldo Franco, o Espírito iluminado Amélia Rodrigues nos apresenta uma coletânea de cônicas da vida de Jesus e seu apostolado.

São mensagens de fé, de esperança, de caridade, de amor incondicional ao próximo, de entrega total ao apostolado do bem, na palavras singelas do Espírito que já se consagrou como a cronista dos Evangelhos, narrados e comentados com uma sensibilidade literária incomum.

BOA NOVA

Os historiadores do Império Romano sempre observaram com espanto os profundos contrastes da gloriosa época de Augusto. Caio Júlio César Otávio chegara ao poder, não obstante o lustre de sua notável ascendência, por uma série de acontecimentos felizes. As mentalidades mais altas da antiga República não acreditavam no seu triunfo. Aliando-se contra a usurpação de Antônio, com os próprios conjurados que haviam praticado o assassínio de seu pai adotivo, suas pretensões foram sempre contrariadas por sombrias perspectivas. Entretanto, suas primeiras vitórias começaram com a instituição do triunvirato e, em seguida, os desastres de Antônio, no Oriente, lhe abriram inesperados caminhos.

Como se o mundo pressentisse uma abençoada renovação de valores no tempo, em breve todas as legiões se entregavam, sem resistência, ao filho do soberano assassinado.

Uma nova era principiara com aquele jovem enérgico e magnânimo. O grande império do mundo, como que influenciado por um conjunto de forças estranhas, descansava numa onda de harmonia e de júbilo, depois de guerras seculares e tenebrosas.

Por toda parte levantavam-se templos e monumentos preciosos. O hino de uma paz duradoura começava em Roma para terminar na mais remota de suas províncias, acompanhado de amplas manifestações de alegria por parte da plebe anônima e sofredora.

A cidade dos Césares se povoava de artistas, de espíritos nobres e realizadores. Em todos os recantos, permanecia a sagrada emoção de segurança, enquanto o organismo das leis se renovava, distribuindo os bens da educação e da justiça.

Esqueceram-se de que o nobre Otávio era também homem e não conseguiram saber que, no seu reinado, a esfera do Cristo se aproximava da Terra, numa vibração profunda de amor e de beleza. Acercavam-se de Roma e do mundo não mais espíritos belicosos, como Alexandre ou Aníbal, porém outros que se vestiriam dos andrajos dos pescadores, para servirem de base indestrutível aos eternos ensinos do Cordeiro. Imergiam nos fluidos do planeta os que preparariam a vinda do Senhor e os que se transformariam em seguidores humildes e imortais dos seus passos divinos.

É por essa razão que o ascendente místico da era de Augusto se traduzia na paz e no júbilo do povo que, instintivamente, se sentia no limiar de uma transformação celestial. la chegar à Terra o Sublime Emissário. Sua lição de verdade e de luz ia espalhar-se pelo mundo inteiro, como chuva de bênçãos magníficas e confortadoras. A Humanidade vivia, então, o século da Boa Nova. Era a “festa do noivado” a que Jesus se referiu no seu ensinamento imorredouro.                                                                                                                                       (Cap. 1 do livro do mês)