[…] Não obstante, ingênuos, os galileus pensavam nas questões imediatistas: a faina do dia, o aconchego do lar, o repouso, a devoção religiosa no sábado… Não aspiravam a mais altos e amplos ideais, pois não os necessitavam.
O pão, o vestuário, a família, a fé – eis as necessidades reais, prementes. O verbo divino despertava-os para a Vida, a conquista do país interior, o futuro eterno.
Ante a Sua presença alterava-se a paisagem dos sentimentos e penetrante música dominava-lhes a pauta do coração e a partitura da mente aos sons sublimes.
– O pão – refere-se Ele aos ouvintes curiosos, atentos – desgasta-se e a fome retorna… Mas o alimento da alma, que é o conhecimento da verdade, nutre-a para sempre.
A verdade, porém, que é, para aquele povo, que não aspira às grandes conquistas e se basta com o que tem e conforme vive?
Indiferente às tricas farisaicas, teme mais aos sacerdotes do que os ama e respeita.
Os puros de coração alienam-se dos dominadores pelo temor, embora estejam próximos pela servidão, que mais os afasta deles…
– A verdade – explica o Mensageiro de Deus – são o conhecimento de si mesmo, a auto-afirmação no Bem, a transformação pessoal para melhor, com incessante esforço de superação das imperfeições, a busca de vida eterna, a saúde integral…
Eles entendem, porque isso é lógico Porém, estão enfermos, trazem os seus doentes, a fim de constatarem a legitimidade do Embaixador.
As Suas credenciais devem ser apresentadas, a fim de que seja aceito na condição em que se faz conhecer.
Jesus, então, cura as enfermidades, fortalece as debilidades orgânicas, restaura o otimismo, compartilha do festival das dores humanas levando todos a estados majestosos, antissonantes, de ventura.[…]
(trecho do Cap. 2 do livro do mês)