FAMÍLIA

A família consangüínea, entre os homens, pode ser apreciada como o centro essen­cial de nossos reflexos. Reflexos agradá­veis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve.

(…) Cada criatura está provisoriamente ajus­tada ao raio de ação que é capaz de desen­volver ou, mais claramente, cada um de nós apenas, pouco a pouco, ultrapassará o hori­zonte a que já estenda os reflexos que lhe digam respeito.

O homem primitivo não se afasta, de improviso, da própria taba, mas aí renasce múltiplas vezes, e o homem relativamente civilizado demora-se longo tempo no plano racial em que assimila as experiências de que carece, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações.

É assim que na esfera do grupo consan­güíneo o Espírito reencarnado segue ao en­contro dos laços que entreteceu para si pró­prio, na linha mental em que se lhe caracte­rizam as tendências.

(…) Uma família de músicos terá mais faci­lidade para recolher companheiros da arte divina em sua descendência, porque, muita vez, os Espíritos que assumem a posição de filhos na reencarnação, junto deles, são os mesmos amigos que lhes incentivavam a for­mação musical, desde o reino do Espírito, refletindo-se reciprocamente na continuida­de da ação em que se empenham através de séculos numerosos.

(…) A tara familiar, por esse motivo, é a resultante da conjunção de débitos, situan­do-nos no plano genético enfermiço que me­recemos, à face dos nossos compromissos com o mundo e com a vida. Dessa forma, somos impelidos a padecer o retorno dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela, que no-los devolvem por aflitivos processos de sofrimento.

Temos assim, no grupo doméstico, os laços de elevação e alegria que já consegui­mos tecer, por intermédio do amor louvavel­mente vivido, mas também as algemas de constrangimento e aversão, nas quais reco­lhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do des­tino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova pro­dução de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.

 (Livro do mês cap. 12)