A orgulhosa Israel experimentara o silêncio multisecular das profecias, como se a Divindade submetesse o povo escolhido ao testemunho das provações demoradas: escravidão, sofrimentos no deserto, submissão aos gentios, que lhe usurparam a administração política, ameaçando a religião oficial, que tentavam substituir pelos deuses pagãos impostos através da adoração à figura do Imperador de Roma.
A busca do poder e da sobrevivência assumira papel preponderante no comportamento hebreu, e os indivíduos se haviam transformado em lobos que se devoravam reciprocamente, insaciáveis e cruéis.
Foi nesse imenso palco de corrupção e desmandos que nasceu Jesus, trazendo as boas novas de alegria, transformando os dias dos am-ha-haretz – a pobre gente espoliada do campo, que agora perambulava pelas cidades, faminta e quase desnuda, também considerada inútil, que aparece em todas as épocas da Humanidade, os miseráveis, os párias sociais – em um festival de oportunidades dignificadoras …
Nesse terrível contubérnio, Jesus levantou Sua voz e deu início aos dias venturosos, que jamais se acabarão, abrindo espaço para o amor desprezado, para a esperança esquecida, para a felicidade não mais sonhada.
(Trechos do prefácio do livro do mês)